GRAMMATIK

Screen Shot 2014-01-29 at 12.07.28 AM

Sieh ooch / Sehe auch / Ver também:
Die fünnef Präpositione, wie mea se im Riograndenser Hunsrückisch Dialekt kenne

Como não existe uma gramática compreensiva do Riograndenser Hunsrückisch, dependemos indiretamente da gramática do Hochdeutsch pelo menos como referência inicial para acesso à nossa língua. É mui importante contextualizar este assunto corretamente: Esta situação linguística precária existe por causa de políticas nacionais de base napoleônicas que sempre visaram exterminar idiomas menores de seu meio. Portanto não é um estado de ser das coisas devido à inabilidades natas por parte da população de falantes desta língua regional brasileira:

GRAMÁTICA DA LÍNGUA ALEMÃ / Grammatik

DECLINAÇÃO NA LÍNGUA ALEMÃ / Deklination

A declinação no alemão (alemão: deutsche Deklination) caracteriza o idioma como uma língua fusional, pois pronomes, substantivos, adjetivos e artigos são declinados. O alemão conserva três gêneros: masculino, feminino e neutro; dois números: singular e plural; e quatro casos gramaticais: nominativo, acusativo, dativo e genitivo.

ARTIGOS / Artikel

Artigos definidos / bestimmter Artikel
Os artigos definidos (alemão: bestimmter Artikel) equivalem às palavras o, a, os, as, do Português.

Nominativo Acusativo Dativo Genitivo
Masculino der den dem des
Feminino die die der der
Neutro das das dem des
Plural die die den der

Artigos indefinidos / unbestimmter Artikel
Os artigos indefinidos (alemão: unbestimmter Artikel) equivalem às palavras um e uma do Português. Não há plural do artigo indefinido do alemão.

Nominativo Acusativo Dativo Genitivo
Masculino ein einen einem eines
Feminino eine eine einer einer
Neutro ein ein einem eines

Artigos negativos / Negationsartikel
O artigo negativo (alemão: Negationsartikel) é declinado da mesma forma que o artigo indefinido, mas possui plural. Equivale às palavras nenhum, nenhuma, nenhuns, nenhumas, do Português.

Nominativo Acusativo Dativo Genitivo
Masculino kein keinen keinem keines
Feminino keine keine keiner keiner
Neutro kein kein keinem keines
Plural keine keine keinen keiner

PRONOMES

Pronomes pessoais

Primeira pessoa
Os pronomes pessoais da primeira pessoa do singular do alemão equivalem às palavras portuguesas eu, mim e me. Os do plural equivalem às palavras portuguesas nós e nos.

Nominativo Acusativo Dativo Genitivo
Singular ich mich mir meiner
Plural wir uns uns unser

Segunda pessoa
Os pronomes pessoais da segunda pessoa do sigular do alemão equivalem às palavras portuguesas tu, ti e te. Os do plural equivalem às palavras portuguesas vós e vos.

Nominativo Acusativo Dativo Genitivo
Singular du dich dir deiner
Plural ihr euch euch eurer

Terceira pessoa
Os pronomes pessoais da terceira pessoa do singular do alemão equivalem às palavras portuguesas ele, ela, o, a e lhe. Os do plural equivalem às palavras portuguesas eles, elas, os, as e lhes. O reflexivo equivale ao se, si.

Nominativo Acusativo Dativo Genitivo Reflexivo
Masculino er ihn ihm seiner sich
Feminino sie sie ihr ihrer sich
Neutro es es ihm seiner sich
Plural sie sie ihnen ihrer sich

Pronomes interrogativos
Nominativo
wer (quem? – sujeito)
Acusativo
wen (quem? – o. direto)
Dativo
wem (para quem?)
Genitivo
wessen (de quê/quem?)

Nominativo Acusativo Dativo Genitivo
Masculino welcher welchen welchem welches
Feminino welche welche welcher welcher
Neutro welches welches welchem welches
Plural welche welche welchen welcher

Pronomes relativos
Os pronomes relativos substituem um elemento em uma oração subordinada. Declinam de acordo com a função que desempenham na oração subordinada. No Português, são: que, quem, o qual, a qual, os quais, as quais, cujo, cujos, cuja e cujas.
Nominativo Acusativo Dativo Genitivo
Masculino der den dem dessen
Feminino die die der deren
Neutro das das dem dessen
Plural die die denen deren

Pronomes possessivos
Todos os pronomes possessivos do alemão (mein, dein, sein, ihr, unser, euer e Ihr) seguem o padigrama de inflexão abaixo, em concordância com o substantivo seguinte: (o possessivo euer muda para eur- ao receber desinência)

Nominativo Acusativo Dativo Genitivo
Masculino – -en -em -es
Feminino -e -e -er -er
Neutro – – -em -es
Plural -e -e -en -er

Adjetivos
Os adjetivos em alemão podem ter duas funções: predicativa (como em “a praia é bela”) ou atributiva (como em “a bela praia…”). Quando os adjetivos são predicativos, não declinam. Quando são atributivos, concordam com a palavra à qual se referem.

Declinação forte
A declinação forte ocorre quando não há artigo ou pronome precedendo o adjetivo.
Nominativo Acusativo Dativo Genitivo
Masculino -er -en -em -en
Feminino -e -e -er -er
Neutro -es -es -em -en
Plural -e -e -en -er

Observação: a declinação forte segue de perto as terminações dos artigos definidos, exceto quanto ao genitivo do masculino singular e do neutro singular (artigo definido “des”), em que os adjetivos são declinados com a terminação “-en”.

Declinação mista
A declinação mista ocorre quando há artigo indefinido ou pronome possessivo precedendo o adjetivo.

Nominativo Acusativo Dativo Genitivo
Masculino -er -en -en -en
Feminino -e -e -en -en
Neutro -es -es -en -en
Plural -en -en -en -en

Declinação fraca
A declinação fraca ocorre quando há artigo definido ou pronome (não possessivo) precedendo o adjetivo.
Nominativo Acusativo Dativo Genitivo
Masculino -e -en -en -en
Feminino -e -e -en -en
Neutro -e -e -en -en
Plural -en -en -en -en

CASOS

Nominativo
Quando não se pode reconhecer o acusativo, dativo ou genitivo, vemos o nominativo. Possui a função sintática de sujeito, predicativo do sujeito e predicativo do objeto.

O aluno é dedicado.
Der Schüler ist fleissig.

O idioma é difícil.
Die Sprache ist schwierig

A criança está doente.
Das Kind ist krank.

Acusativo
Quando o artigo poderia ser trocado por um pronome oblíquo. Possui a função sintática de objeto direto.

Eu tenho a caneta. = Eu a tenho.
Eu dou o lápis.
Ich gebe den Bleistift.
Eu vejo a mulher.
Ich sehe die Frau.
Eu chamo a criança.
Ich rufe das Kind.

Nominativ: der Bleistift, die Frau, das Kind
Akkusativ: den Bleistift, die Frau, das Kind

Dativo
Com o sentido de objeto indireto. (dizer algo a alguém, dar algo a uma pessoa etc.)

Eu dou a caneta à mulher ou ao homem.
Ich gebe der Frau oder dem Mann den Kugelschreiber.
A mãe mostra a prenda à criança.
Die Mutter zeigt dem Kind das Geschenk.
Nominativ: der Mann, die Frau, das Kind
Dativ: dem Mann, der Frau, dem Kind
Regra fundamental: Um objeto dativo aparece sempre antes de um objeto acusativo, como por exemplo:
Ich schreibe meinem Freund einen Brief.
Escrevo uma carta a meu amigo.
Ich gebe dem Jungen Unterricht.
Dou aulas ao menino.

Genitivo
Posse (complemento nominal, adjunto adnominal, adjunto adverbial).
O amigo do cachorro.
Der Freund des Hundes.
O vestido da mulher.
Das Kleid der Frau.
A mãe da criança.
Die Mutter des Kindes.
Nomimativ: der Hund, die Frau, das Kind
Genitiv: des Hundes, der Frau, des Kindes

QUELLE

Screen Shot 2014-01-29 at 12.07.28 AM

ZWOOI ROOWE

Screen Shot 2014-02-10 at 5.10.36 AM

DIE ZWEI RABEN
von Theodor Fontane.

Ins Riogr. Hunsrückisch von Paul Beppler,
üwwersetzt am 10. Februar 2014

DIE ZWOOI ROOWE (en Volleksballood)

En Tooch, doorich Wäld, ging’ch ganz allehn
Do hörrich zwooi Roowe, gezänk’ und kräh’n;
Der ene rief dem annre laut zu:
»Wo mach’mer Middach, ich und du?«

»Beim Kamp dort drüwwe leiht unbewacht
En runnergeschloohde Ritter seit die Nacht,
Und niemand wess, dass der do leht am Grund,
Nuar seine Liebchje, sein Falk und sein Hund.

Awer sein Hund, uff neie Jachte geht,
Sein Falk uff frische Greif ist späht,
Sein Liebchje, nei verliebt, is fort,
Mir könne in Ruhe schön fresse dort.«

»Du setzt, uff seine Nacke, dich –
Sein blaue Aue, die sind für mich,
En goldne Lock, nehme mir aus seinem Haar
Soll wärme’s Nest für uns nächstes Joahr.«

»Manchener weert weine: Och ich hatt’ ehn lieb!
Doch kener weert wisse soon, wo ear ist geblieb,
Und hingehn üwer sein bleich Gebein,
Weert Wind und Rehn und Sonneschein.«

Hiedie gesagnte Version von Zwooi Roowe is sehr ähnlich zu meiner Üwersetzung:
Carven In Stone: Die Zwei Raben

Etwas ganz annerstrer davon, immernoch en sehr berühmte Version von dem selwiche Lied, awer wo man von DREI ROOWE dren singe tut … wo in gregorianische Gesang Stil arranschiert wooh – das hesst, dass das Stück ganz verschieden von annre, in so en Oort keerrichliche Chor Stil gesung geb ist:
Die Rabenballade” von “Spielleut
(im YouTube uffgelood von schnorrkathor)

Screen Shot 2014-01-29 at 12.07.28 AM

Wichtiche Satzpartikle

Screen Shot 2014-01-29 at 12.07.28 AM

die Satzglieder = Satzgliedern = partículas de sentenças
die Satztpartikle = Partikeln =  idem, partículas de frases

uff = auf
ehnder* = eher – antigamente, agora fora de uso: ehender. Veja exemplos de uso abaixo no *
als wie = als
wie = als

Note que além de aprender como se escreve “ou” em alemão-padrão, você inevitavelmente terá que familiarizar-se com as duas formas dialetais de grafar esta partícula de frase – sim pois ela é utilizada na prática, e você inevitavelmente irá se deparar com ela, tanto como ora, como orrer (ou mesmo orer) … Sabe quando a gente fala: Die harre en alde Karre! -Na verdade eu diria mais é Audo, mas francamente eu escrevo é Auto pois geralmente é assim que se grafa esta palavra no alemão … e o que ocorre muito é que a gente às vezes fala palavras como Auto pronunciando com “t”, outras vezes com “d” – por isso eu geralmente opto por um, e decido ficar o mais próximo do Hochdeitsch, quando dá… Mas vamos lá: Die harre en alte Karre! = Eles tinham um carro/auto velho! este harre na verdade é hatte, ainda no realmo dialetal – que no Hochdeitsch é HATTEN (mas nós via regra não pronunciamos o “n’ no final das palavras, seja qual for a sua categoria gramatical). Caso você quiser representar o som da palavra HARRE quando ela de fato é pronunciada com com dois “RR”s, você grafa ela e acabou … mas saiba que tem gente que fala o nosso dialeto e não “desliza” para o som de “RR”, ficando com HATTE. Ainda mais, muitas vezes você lê e ou escuta variantes regionais de nosso dialeto, seja ele uma variante catarinense, paranaense, espirito-santense, ou falado na Argentina, e irá perceber que essa troca de “T” (no caso dois “TT”s) por “R” (no caso dois “RR”s) acontece, é praticada, em palavras nas quais a gente NUNCA faz isso, e nem ouve, nunca ouviu antes outras pessoas o fazerem. Você pode optar por sempre escrever, digo grafar, estas ocorrências igual se faz no alemão padrão, e acabou. Ou você quando escreve dialeto sempre grava de um ou de outro jeito, independente das variações que podem de fato, na prática, ocorrer. Uma coisa é certa, você não pode ser e fazer igual a todo mundo ao mesmo tempo – ao escrever um texto, terá que optar por um caminho, uma via… Quando eu produzo textículos com o intúito de ensinar, eu muitas vezes escrevo uma/duas/e até três jeitos, tudo encordoado, às vezes separado por barra inclinada: / Mas isto é só no sentido de ser ilustrativo, pra mostrar as possibilidades.

*Este “Ender” que nós utilizamos em vez do Hochdeitsch EHER me levou anos pra perceber a conexão – precisamente foi ontem que me deu na telha e fui atrás… parece que antigamente esta palavra era EHENDER, o que no alemão-padrão evoluiu para “eher”, e no nosso dialeto, ficou “ehnder”, que simplificado, pode ser grafado como “ender” ou mesmo “enda”).

Ich wollt ehnder komme, das hot awer zu viel gerehnt.
Uff Hochdeitsch säht ma das so / Auf Hochdeutsch sagt man das so:
Ich wollte früher kommen, aber es hatte zu viel geregnet. — Ué, mas não tem EHNDER aqui!!!
Sim, porque no dialeto a gente também pode, NESTE CASO, dizer früher. Na verdade, NÃO se diz EHER neste caso, mesmo que EHER seja o equivalente de EHNDER … é que tem isso, né?!?! nem tudo é sempre na base de igual pra igual, que tudo tem nitidamente um correspondente igualzinho em cada lado – línguas não são assim, esta noção de sempre trabalhar com equivalentes faz parte de aprendizado escolar, didático, e não corresponde com a realidade …

Dito isto, esclarecido este ponto, agora vou mostrar como o EHNDER / EHER é utilizado no Hochdeitsch:
Ich tät ehnder selich bleibe, als wie mich mit dem Kerl zu heirate.
(Note que nesta frase eu escrevi DEN … quando na prática a gente diz DE; sim, pois também no caso dos artigos representanto do gêneros gramaticais DER, DIE, DAS … eu sempre grafo o DER como “der”, muito embora na realidade a gente pronuncie “de” – ISTO É PRÁTICA COMUM NA ESCRITA DE DIALETOS GERMÂNICOS; E TEM SEU PROPÓSITO! ENFIM, É QUESTÃO DE SE ACOSTUMAR E PRONTO, BOLA PRA FRENTE …)
No Hochdeitsch fica assim:
Ich tät eher ledig bleiben, als** mich mit dem Kerl zu heiraten.

Du muss awer ehnder komme, do könne ma zusammen foohre.
Mas você tem que vir mais cedo, aí podemos viajar juntas. (note que no português JUNTAS revela este diálogo imaginado ser entre duas mulheres, ou moças, pessoas do feminino… no alemão isto não fica claro)
Então, EHNDER é como ANTES, em ANTES MAL ACOMPANHADA DO QUE CASADA COM ELE …
Moie will ich ehnder komme! = Amanhã quero vir/vim/chegar mas cedo! Neste caso pode-se dizer FRÜHER em lugar em EHNDER no dialeto – mas no Hochdeitsch TEM que utilizar FRÜHER!!! Deu pra entender? Se não, volte aos exemplos acima, reflita, e tente criar frases similares para praticar (tem gente que faz isso de/na cabeça (pode praticar na frente do espelho, se isto ajuda!); outras pessoas preferem fazer/praticar com papel e caneta; muitos/as gostam mais é de praticar coisas novas assim como esta, falando com outra pessoa na língua, e calculadamente utilizando, no caso, as partículas de frase em questão, a fim de praticar; sempre é bom e recomendável a gente manter contato com outra pessoa a estudar a mesma coisa, e assim discutir em conjunto de tempo em tempo as novidades aprendidas.

**MAIORES ESCLARECIMENTOS (UFF HOCHDEITSCH) AQUI em FAQL.de SOBRE O ALS, ALS WIE, E WIE … NOTE QUE TEM A GRAMÁTICA MODERNA E O UMGANGSPRACHLICH = COLOQUIAL E O DIALETAL [dialetos geralmente tem um LONGO histórico e tradição; enquanto que o falar comum, de rua, o coloquial é o informal de hoje em dia, é como a língua é usada de qualquer jeito pelo público hoje em dia – muitas vezes carregando traços e dando continuidade a certos uso, baseado em dialetos da região, outras vezes simplesmente porque é uma forma mais simples de falar; no caso de gírias modernas também, podem ser palavras que já eram gíria num dialeto da região muito tempo atrás, mas gírias podem, e muitas vezes são super atuais, não reconhecíveis apenas alguns anos atrás – E MUITAS VEZES emprestadas da língua internacional do dia, em nossa era, agora, o INGLÊS – mas já foi o Francês, etc.):

Screen Shot 2014-01-29 at 12.07.28 AM

LÍNGUA NOSSA!
DEITSCHBRASILIOONISCH, UNSER SPROCH!

EM DEZ ANOS A MINHA LÍNGUA ANCESTRAL, O RIOGRANDENSER HUNSRÜCKISCH*,
IRÁ COMPLETAR DUZENTOS ANOS DE EXISTÊNCIA
*é difícil demais pra você pronunciar? então diga Hunsriqueano Riograndense

NO DECORRER dos anos de vida no exterior, eu sempre me senti, em muitos sentidos, um brasileiro diferente dos/das demais compatriotas (sendo a vastíssima maioria destas pessoas não naturais do sul de nosso país, e praticamente todas nunca foram e nem conheceram o Brasil meridional). Em situações onde houve contato entre brasileiros/as e norte-americanos/as das quais participei, desde encontros estudantís em tempos de universidade, festinhas de empresa, ou mesmo na informalidade de clubes noturnos, repetiram-se ao longo dos anos certas posturas negativas quanto a minha identidade regional, linguístico-cultural, como queira, talvez especialmente por eu ter o, e estar consciente do, meu dialeto alemão Riograndenser Hunsrückisch como minha língua ancestral; mas tendo sempre, e justamente, tratado como algo igualmente meu a minha língua pátria, meu falar do coração lado-à-lado à nossa língua nacional – aliás como ela era chamada tanto oficialmente como na prática no sistema escolar nos meus tempos de escola. Preciso dizer, eu tenho dois lados, um é tímido, fica no cantinho pra não ser notado, concorda com tudo que vai ser melhor – isto talvez resultado das “boas” e frequentes surras que levei de meu meu pai quando menino; mas mais do que isso, certamente, foi minha realização quando ainda em tenra idade, de que havia algo remarcavelmente diferente em mim, mit mir, mich, sellebst, ganz ganz tief in mei Herz, mei Brust, mei Mooche, ora wie man uff Hochdeitsch säht, mit meinem Dasein (awer, ich sin immer mit meinem Dasein zufrieden gewess, ich muss eich das soohn!). Por outro lado, no decorrer de minha vida, eu aprendi a me abrir, me jogar, falar o que sempre quis dizer, fazer coisas que naturalmente eu sempre quis fazer … mas que até certa altura de minhas vivências eu não tinha me permitido – certas coisas então, nem pensar! Pois bem, anos atrás, enquanto em situações social- e culturalmente mistas, eu cedia bem-treinadinho ao chauvinismo nacionalista e totalitário de meus/minhas compatriotas … Não mais, isso agora de já faz um bom tempo! Nessas ocasiões, acima, quando estrangeiros me diziam coisas como: Sou americano, morei no Rio/Recife/Bahia, você absolutamente não tem nem cara e nem sotaque de brasileiro – Minha resposta sempre era tipo, tenho sim, o Brasil é quase um continente de grande, obviamente você ainda não conheceu o sul; ou algum escandinavo me dizia algo como: Estranho, mas você tem um sotaque suave igual a nós quando fala o inglês … Bastava eu reagir, expandir minha conversa, explicando, dizendo que boa parte do sul fez parte do projeto de colonização do Império do Brasil, as pessoas não se isolaram por algum motivo excêntrio ou macabro … mas foram calculadamente colocadas em terras consideradas devolutas, abrindo zonas inteiras de povoados e municípios em regiões onde, por exemplo, não habia interesse pelos latifundiários gaúchos pois ali não dava pra criar gado – em consequência destes desenvolvimentos históricos hoje que lá há milhares de pessoas que são, em seu dia-à-dia, pessoas bilíngues … Aí, praticamente sem falha, meus/minhas con-terras apropriavam-se da conversa, para fazer valer a doutrina de identidade nacional brasileira (com conotações de classificação, de triagem, de hierarquias – em outras palavra, nada democrático; e insistentemente ignorante) São coisas que eu então me sentia quase que obrigado a aturar, calando-me, retraíndo-me, eram mais ou menos nestas linhas: Ah mas o que eles falam de alemão lá no sul, aquilo ninguém da Alemanha entende, não é mais nem uma mistura de português com alemão, não é nem mais uma língua, nem mais um patuá … (DESDE QUANDO VOCÊ É UM EXPERT NA MINHA LÍNGUA, FALA EM ALEMÃO, DEIXA EU OUVIR – isso é o que eu devia ter feito, mas não, a gente foi praticamente treinado a baixar a crista, ceder, apaziguar, concordar contra a sua sã consciência, infelizmente). Isto quando não faltava algum espertinho pra perguntar quantos prêmios nobel de literatura tinha saído de minha “cultura”. Na maioria dos casos, os/as norte-americanos/as, e olha lá hein, não só os/as canadenses, talvez por não terem perdido em absoluto o seu elo com a cultura britânica, calculadamente mas não sem a maior sutilidade, mudavam de assunto. Se você é uma daquelas milhares de pessoas de meu país que não conhece o nosso regionalismo linguístico, o qual nós mesmos vêmos não como postiço, alienígena, e carecendo legitimidade, mas sim como autêntico e inquestionavelmente brasileiro, eu gostaria de recomendar a você um texto de Erich Fausel: “O alemão falado no Rio Grande do Sul e suas transformações”.

Screen Shot 2014-01-29 at 12.07.28 AM

Riogr. Hunsr.: Steier bezoohle Hochdeitsch: Steuern bezahlen Brasilioonisch: Pagar impostos

Hochdeitsch/Alemão-padrão:
“Wer Steuern hinterzieht, raubt anderen die Möglichkeit zur angemessenen Teilhabe am gesellschaftlichen Leben – und verschärft damit die ohnehin vorhandene Ungerechtigkeit. Ein Kommentar.”

Riograndensern Hunsrückisch/Alemão gaúcho:
“Wer Steier hinnerzieht, raubt annre die Möchlichkeit zur angemesne Teelhonn am Gesellschaftliche Lewe – und verschärreft domit die ohnhin vorhandne Ungerechtichkeit. En Kommentar.”

Bresiljoonisch/Portugiesisch:
“Quem sonega [puxa pra trás] impóstos, rouba outros/as da possibilidade de participar justamente da vida em sociedade – e acirra, portanto, as injustiças já existentes. Um comentário.”

Facebook / Fratzbuch: RIOGRANDENSER HUNSRÜCKISCH

Screen Shot 2014-01-29 at 12.07.28 AM

“O alemão falado no Rio Grande do Sul e suas transformações” por Erich Fausel

Screen Shot 2014-01-29 at 12.07.28 AM

Screen Shot 2014-02-05 at 11.26.02 AM

Screen Shot 2014-02-05 at 11.26.22 AM

Screen Shot 2014-02-05 at 11.26.56 AM

Screen Shot 2014-02-05 at 11.27.26 AM

Screen Shot 2014-02-05 at 11.27.40 AM

Screen Shot 2014-02-05 at 11.27.56 AM

Screen Shot 2014-02-05 at 11.28.13 AM

Screen Shot 2014-02-05 at 11.28.28 AM

Screen Shot 2014-02-05 at 11.28.45 AM

Screen Shot 2014-02-05 at 11.28.59 AM

Screen Shot 2014-02-05 at 11.29.10 AM

Screen Shot 2014-02-05 at 11.29.23 AM

Screen Shot 2014-02-05 at 11.29.34 AM

Screen Shot 2014-02-05 at 11.29.49 AM

Screen Shot 2014-02-05 at 11.29.58 AM

Screen Shot 2014-02-05 at 11.30.11 AM

Screen Shot 2014-02-05 at 11.30.25 AM

Screen Shot 2014-02-05 at 11.30.38 AM

Screen Shot 2014-02-05 at 11.30.48 AM

Screen Shot 2014-02-05 at 11.31.01 AM

Screen Shot 2014-02-05 at 11.31.14 AM

Screen Shot 2014-02-05 at 11.31.29 AM

Screen Shot 2014-02-05 at 11.31.53 AM

Screen Shot 2014-02-05 at 11.32.05 AM

Screen Shot 2014-02-05 at 11.32.21 AM

UFRGS:ORGANON

Screen Shot 2014-01-29 at 12.07.28 AM